No dia 06/12, domingo, recebi um presente de fim de ano pra lá de especial: o show de comemoração dos 30 anos do movimento Lira Paulistana que reuniu os artistas que mais tocam no rádio lá em casa. Pude ver pela primeira vez ao vivo a execução do disco Beléleu, Leléu e Eu - Itamar Assumpção e Isca de Polícia. Conhecer o trabalho do Itamar é tarefa para essa vida. Tarefa para todos.
A importância cultural do Lira Paulistana continuou a ser relembrada em shows todos os dias até o domingo (13), na Sala Guiomar Novaes/Funarte SP. Quem viu tenho certeza que adorou!
Onde e como tudo começou
Fundado em 1979, na rua Teodoro Sampaio, próximo à praça Benedito Calixto, o Lira Paulistana marcou a história cultural de São Paulo e de toda uma geração, ávida por novas manifestações artísticas.
O Brasil ensaiava uma abertura política após quase 20 anos de ditadura militar e a região de Pinheiros e Vila Madalena, na Zona Oeste de São Paulo, era o ponto de encontro da juventude que frequentava os cursos da Universidade de São Paulo e da PUC-SP, que ansiava por mudanças em todos os sentidos, inclusive no cenário cultural.
O teatro tornou-se, então, o espaço que faltava para músicos independentes, em início de carreira, mostrarem seus trabalhos. Pelo endereço da rua Teodoro Sampaio, 1092, passaram bandas e artistas como Premê, Língua de Trapo, Rumo, Ira! e Itamar Assumpção, assíduo frequentador do lugar com sua fiel banda Isca de Polícia, entre outros expoentes do movimento musical alternativo.
Além de shows, o Lira - que tinha na figura de Wilson Souto Junior, o Gordo, um mentor artístico - recebeu peças teatrais, exibição de filmes e debates culturais.
Em 1986, o teatro fechou as portas, mas deixou uma herança cultural à cidade de São Paulo inestimável: cerca de 17 discos lançados pelo selo fonográfico Lira Paulistana (alguns em parceria com a gravadora Continental) e os fundamentos de um movimento musical que até hoje é reverenciado por músicos do mainstream.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
O mal-estar da civilização.
“Se os 600 maiores especialistas avisaram que o mundo estava caminhando na direção de sua maior catástrofe, como é que ninguém fez nada?”
Não deixa de ser curiosa a realização de um simpósio internacional sobre energia na cidade de São Sebastião-SP, juntamente com as capitais Curitiba (PR) e Salvador (BA). O que poucos sabem é que aqui existe um dos maiores terminais de distribuição petrolífera do país, há também um porto, poderá receber um álcoolduto e está no entorno de jazidas de gás e petróleo. Estamos portanto na rota nacional de produção de energia. Junte-se a isso o fato de termos 75% do território como área de proteção permanente, está pronta a receita de uma sopa curiosa.
Sustentabilidade. Aquecimento global. Biodiesel. Biomassa. E o jedi[†] álcool. Essas são palavras que escutamos todas as noites no noticiário da TV, até as revistas que costumam trazer moças sensuais na capa (!!) aderiram ao mais atual mal-estar da nossa civilização: a metáfora da morte em uma montanha de lixo.
Lidamos com esse problema não lidando. Negaremos até o último segundo. É um método compreensível – e até justificável. Como aceitar uma verdade tão esmagadora? Não aceitando. É assim. E assim será. Não dá para exigir que todo mundo libere o Buda interior nesta encarnação. Negar a morte está em nossa essência[‡].
Negar que cada sebastianense compartilha, com o restante da humanidade, a responsabilidade acerca da rápida degradação do planeta, da forma que o conhecemos, é compactuar com a permanência do entendimento que o aquecimento global e demais mazelas ambientais são resultado único e exclusivo de desastres, como Chernobyl em 1989.
Não. O propulsor dos alarmes sobre o futuro próximo do planeta é o modo de produção que utilizamos para conservar e modernizar nosso estilo de vida. Aquele cenário MAD MAX que tanto nos assusta a caminho de São Paulo, existe para que eu, você e quase todo mundo possamos “desfrutar” de todas as conveniências que a vida moderna nos permitiu até agora.
Para São Sebastião, a presença de discussões sobre o emprego de diferentes modelos energéticos representa incremento estratosférico da temática ambiental municipal. Garantir o acesso da comunidade a informações sobre alternativas para o combustível do modo de produção é dar a chance de instrumentalizar a sociedade para a inevitável e iminente mudança de hábitos.
Para nós resta captar o espírito da coisa e assumirmos nossa responsabilidade. Para isso creio que não precisamos pegar em armas para defender o Parque Estadual, nem passar a viver de subsistência. Podemos começar com três atividades pequenas frente à ameaça do degelo da calota polar: evite as sacolinhas plásticas e participe do programa de coleta seletiva, separando os resíduos e instalando sua própria lixeira dividida para lixo (orgânico) e sucata (recicláveis). Agora, se você não agüenta fazer isso, o planeta não agüenta mais você.
VER
Revista: TRIP Nº 161
Filme: MAD MAX (é com o Mel Gibson!)
Livro: A cidade contemporânea: entre a tabula rasa e a preservação
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