sexta-feira, 25 de junho de 2010

We Wear Waste

Sim! Nós vestimos lixo! Para ser mais exata: Politereftalato de etileno.
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A Copa da África do Sul tem uma novidade tão ou mais interessante que as  vuvuzelas ou o espirituoso Cala a boca Galvão. Trata-se da nova camisa da seleção brasileira, confeccionada a partir de PET reciclado. A camisa inova em utilizar cola no lugar da tradicional linha para a costura. Batizada de Dri-Fit, a camisa ficou 15% mais leve e o processo de fabricação diminui em até 30% o consumo de energia se comparado ao poliéster antigo. Bom para os jogadores, melhor para o meio ambiente.

 

Um dos problemas relativos ao saneamento ambiental das cidades, refere-se ao manejo de resíduos. No caso das cidades brasileiras poucas são ainda as iniciativas para a promoção da coleta seletiva. Para além dos graves problemas ligados à saúde pública, os resíduos representam  também ônus ambiental e econômico para os municípios. Os custos de manutenção do sistema de limpeza pública e da disposição final em aterros, em geral, supera as arrecadações com a taxa do lixo. Trata-se de um sistema fadado a bancarrota.

Iniciativas como a da Nike, de fazer as camisetas da seleção mais vitoriosa das copas com material reciclável, é o símbolo de uma mudança de paradigma sobre o lixo, deixando para o passado sua condição de material inservível para transforma-se em insumo para atividades produtivas. É um exemplo a ser seguido.  A valorização dos resíduos, a partir do estabelecimento de espaços para o tratamento e beneficiamento de materiais, é etapa fundamental para o desenvolvimento sustentável das cidades em todo o mundo.

Além do Brasil, Portugal, Holanda, Coréia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Sérvia e Eslovênia também usam uniformes mais verdes no mundial.

Faça como nossos jogadores, pratique o respeito ao meio ambiente: Separe seus resíduos! Se sua cidade ou seu bairro não possuem a coleta seletiva pública, invista um pouco do seu tempo e procure uma central de triagem ou posto de recolhimento mais próximo. E não tem esse papo de "a natureza agradece", pois nós temos o dever de preservá-la. Até mesmo por que quem gera os resíduos somos nós e por isso temos a obrigação de descartá-lo adequadamente! Ser ambiental é legal.

Revisão e Edição: Ricardo Moura 
http://www.ricardomouraportifolio.blogspot.com/






quarta-feira, 9 de junho de 2010

Velvet Underground

O som e o sentido! Peguei carona no título de um livro do Wisnik para iniciar as postagens sobre música. Algumas bandas, algumas letras, alguns sons fazem com que eu respire melhor. Começo então pelo The Velvet Underground. O trecho abaixo é um compilado da Wikipédia.

"Confira, tudo que respira conspira".  Paulo Leminsk.


O Velvet Underground foi uma banda de Art rock norte-americana formada em 1964, por Lou Reed (voz e guitarra), Sterling Morrison (guitarra), John Cale (baixo), Doug Yule (que substituiu Cale em 1968, Nico (voz), Angus MacAlise (bateria) e Maureen Tucker (que substituiu Angus MacAlise). Caracterizados por um estilo experimental, pouco comercial para a época. A banda tinha como mentor intelectual (e, mais importante, financiador) o artista plástico estadunidense Andy Warhol, que se dizia cansado da pintura e promovia incursões por outros campos artísticos como a música e o cinema. Apesar das suas grandes músicas, a banda não fez sucesso enquanto esteve ativa, seus álbums não vendiam muito e sempre haviam conflitos internos. A inclusão de Nico no VU foi imposta por Andy Warhol, mas ocorreu rejeição e conflito por parte da banda. Como uma forma de objeção, o nome do grupo no primeiro álbum foi "The Velvet Underground & Nico", excluindo-a, de certa forma, da banda. Logo após o lançamento do álbum "White Light/White Heat" Andy Warhol foi despedido e Nico foi retirada da banda.



O VU sempre foi conhecido pelo som alternativo, desvinculado de interesses comerciais e que focalizava quase sempre temas relacionados ao submundo (narcóticos, prostituição, criminalidade, etc). Demoraram anos para serem reconhecidos pelo grande trabalho, o que só prova o quanto a sonoridade deles estava bem à frente de sua época.
DISCOGRAFIA

Álbuns de estúdio

Álbuns ao vivo

Berlim, Berlin!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Que Deus me LOUVRE

Em janeiro fui ao LOUVRE. Como qualquer visitante fiquei impressionada pelo número e riqueza das coleções que se oferecem ao nosso olhar. O Museu do Louvre é uma admirável máquina do tempo: num passo apenas (põe passos nisso!), de uma sala para outra, atravessamos séculos, civilizações inteiras. Meu principal dilema: como escolher o que ver entre tantos tesouros?

 Pátio interno do Louvre

Eu tinha somente um dia para conhecê-lo e o frio não me deixou sair de casa muito cedo, assim, cheguei ao museu por volta das 13h. Fui acompanhada de um casal de amigos que vivem na Europa, logo após comprarmos os bilhetes nos separamos, tamanha era minha euforia em conhecer as obras ali expostas.

As riquezas patrimoniais do Louvre estão atualmente conservadas em um conjunto impressionante de edifícios, que deram a este museu a reputação de ser "o maior do mundo". Mas mais que um museu, o Louvre também é uma obra arquitetônica excepcionnal, um monumento moldado ao longo de oito séculos de história agitada, por vezes trágica, que se uniu estreitamente à da própria França e à de seus soberanos.

A transformação arquitetônica do Louvre é um dos pontos espetaculares do museu, primeiro, no final do século XII, foi construída uma fortificação com o objetivo de proteger Paris dos eventuais ataques do inimigo inglês. O lugar onde foi erguida esta construção chamava-se Lupara, provendo daí a palavra Louvre. De fortificação, passa a prisão, a cofre do tesouro real, residência com Carlos V (1338 - 1380), biblioteca...até a chegada de Francisco I (1494 - 1547) que transforma o local em um palácio símbolo da capital do reino. A idéia de transformá-lo em galeria de arte começa com Henrique IV (1589 - 1610) e se consolida com Luís XII (1610 - 1643) e Luís XIV (1643 - 1715). O museu do Louvre abriu oficialmente as suas portas no tumulto da Revolução Francesa, a 10 de agosto de 1793. Atualmente existem oito departamentos que apresentam cerca de trinta mil obras, agrupadas em antiguidades orientais, antiguidades egípcias, antiguidades gregas, etruscas e romanas, artes do islão, pinturas e esculturas, artes gráficas e artes da África, Ásia, Oceânia e das Américas.

O museu não aceita carteira internacional de estudante e o preço do ingresso são 15 euros. É possível por mais 10 euros alugar uma espécie de palm top que realiza itinerários e comenta as obras expostas, tem quase todas as línguas, menos o português. Aluguei um desses, coloquei em espanhol o áudio e fiz o itinerário principal em cerca de 1h e 30 minutos. Depois retornei nas salas que mais despertaram o interesse, como os aposentos de Napoleão III. Depois disso minhas pernas estavam inchadas pois o que se anda lá dentro é incrível.

O museu conta com cafés internos onde podemos parar e saborear uma torta de frutas vermelhas e uma xícara de caputtino (ah! o caputtino da europa é algo a parte!). É importante a escolha da roupa e dos sapatos, sem a mobilidade adequada o passeio poderá naufragar.  Levar uma água também não é demais e não se esqueça da máquina fotográfica, lá pode tirar foto de tudo.

Com ansiedade aguardei a sala onde estava exposta A Gioconda, na verdade Retrato de Lisa Gherardini, esposa do florentino Francesco di Bartolomeo di Zanoli del Giocondo. Essa hipótese foi levantada no século XVI, mas a identidade do modelo permanece ainda um objeto de mistério e suscitou várias hipótese, incluindo um auto retrato andrógino. O quadro é menor do que eu esperava, na verdade é um dos menores do museu e fica em uma parede só para ele, um luxo. É a obra que atrai mais atenção e que possui maior segurança também. Dá um arrepio em vê-la. Como todo mundo brinquei de mudar de posição e os olhos dela continuam "nos seguindo". Pesquisei que essa era uma técnica comum para o período de quando ela foi produzida, entretanto, talvez pela fama e opulência do valor incalculável da obra, fiquei emocionada ao vê-la ali tão pertinho.

Que Deus nunca nos livre de ir até o Louvre. Uma experiência única na reunião do espaço e do tempo, uma homenagem a arte, aos homens, a civilização e a humanidade.
Vou buscar minhas fotos e as postarei em breve.

Site oficial do Museu: http://www.louvre.fr/llv/commun/home.jsp

Fausto Fawcett - A Godiva do pop brasileiro

"Um Hamlet contemporâneo não segura a caveirinha não! Um Hamlet contemporâneo fica perplexo ao ver a realidade diluída em uma tela de TV, por uma boca loira liquidificadora... de notícias".

O trecho acima é um verso de uma música do Fausto Fawcett, presente no disco Robôs Efêmeros. A temática da obra do F.F. gira em torno das apreensões modernas, buscando referências na tecnologia, no terrorismo, na guerra, nos guetos urbanos, nas personagens que se comunicam com um mundo real e místico ao mesmo tempo.

                                                                       Fausto Fawcett

Considero o Fausto Fawcett um dos ícones pop brasileiros mais representativos da estética urbana dos últimos tempos. Todo mundo já ouviu alguma música dele, nem que seja os refrões de Katia Flávia, a Godiva do Irajá ou Calcinha. Quem escuta os discos acaba adorando, pois em meio a uma prosa inteligente e a um som dançante, marcadamente 80,  o ouvinte acaba fazendo improváveis conexões entre a realidade e a ficção.

Para quem conheçe Copacabana, lugar-tema principal da obra do F.F., fica fácil perceber as referências...  A ligação dele com o Rio de Janeiro é tanta que alguns anos atrás a Prefeitura Municipal lançou uma série de contos e causos literários sobre a cidade maravilhosa e elegeu alguns cidadãos carioquérrimos para escrevê-la. Assim, Fawcett nos brindou com Copacabana Lua Cheia, uma raridade que narra a saga de uma jornalista americana no Rio ciceroneada por ele. Esse material é raro, até hoje vi somente um exemplar de um amigo frequentador assíduo de sebos e amante do Rio.

Outros livros também foram escritos por F.F., um deles, o Santa Clara Poltergeist é leitura obrigatória. A história é ultra fauwcettiana, uma garota recebe uma carga de energia ao entrar em contato com o cano de ferro que sustenta o banco de uma bicicleta, a partir daí ela passa a ter poderes sobrenaturais que são emanados através da conexão com a televisão... psicodélico.

Seus três principais álbuns gravados são "Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros" (1987), "Império dos Sentidos" (1989) e "Fausto Fawcett e Falange Moulin Rouge" (1993), que têm Laufer como seu principal parceiro.

                                                               Capa do disco Império dos Sentidos, trazendo a Silvia Pfeifer.

Muitos personagens constituem os temas das músicas e livros, Santa Clara, a Chinesa Viodemaker, Sandro Bula, um estudante de comunicação, Juliet, Katia Flávia, entre outros.

As mensagens são um tanto apocalípticas e trazem uma crítica social e cultural refinadas. É ver, ouvir e ler. 

Fazendo uma pesquisa rápida na internet descobri que o sobrenome adotado por ele é uma homenagem a Farrah Fawcett, da série de TV "As Panteras", falecida ano passado.

Confira a performance com a música Chinesa Videomaker: 
http://www.youtube.com/watch?v=yLxnezULAtE&feature=related

Letra da música para acompanhar o clipe
Pupilas de vinil brilham ensangüentadas na Av. Atlântica
E o corpo de uma Chinesa Videomaker
Jaz espatifado em frente ao Othon Palace

Todos os RJ’s, todos os jornais locais
Todos os plantões policiais noticiam que...

Pupilas de vinil brilham ensangüentadas na...
São 2:45 da manhã, mas tudo começou às 23:45
Naquele edifício abandonado, de frente para Av. Atlântica
Entre a Prado Jr. e a Princesa Isabel
Onde funciona o...

Gueto Hong Kong, Boate Gueto Hong Kong
Uma Chinesa Videomaker supervisiona sua boate pornô
A única com garçonetes da dinastia Ming em topless
Eu digo, Ming em topless

Ela atravessa a multidão e dança de frente pruma imensa vitrine
Lotada de casais trepando, iluminados por slides da "Escrava Isaura"

Tudo em ordem...
Meia-noite. A Chinesa pára de supervisionar
Sua boate pornô
Resolve dedicar-se ao seu passatempo mais feroz.
Ela quer capturar pessoas pela noite de Copacabana
Ela quer chupar o sexo dessas pessoas
Ela quer massacrar os olhos delas com incessantes imagens
De telejornais

Ela entra na sua limusine prateada forrada com pentelhos de pin-ups
E pega a Av. Atlântica em alta velocidade.

0:15. Ela chega na esquina de Siqueira Campos com Atlântica
E joga um cabeção sonífero na cara de um rapaz
Que cai estatelado

Coloca o rapaz dentro de sua limusine prateada
Pega um retorno na Siqueira Campos
E parte em alta velocidade na direção do Leme

0:30. Ela passa em frente ao Meridian
0:35. Ela chega nos subterrâneos de uma garagem na Gustavo Sampaio
0:40. Ela coloca o rapaz no centro de um telão de 360°
Com os olhos esbugalhados por grampos especiais

0:45. Ela liga o telão e os olhos do rapaz
Começam a ser massacrados
Por incessantes imagens de telejornais

0:50. Ela começa a chupar o rapaz
Yeah, yeah!

Ela chupa o rapaz massacrado
Por telejornais, ela chupa

Ela chupa, ela chupa!!!
1:15. E agora, entre uma chupada e outra
A Chinesa diz algumas coisas para o rapaz

"Aí, rapaz. Eu dediquei toda a minha vida ao mundo
Das imagens artificiais
Das telinhas, dos telões
Vetezei dos comerciais mais lisérgicos
Aos mais belos bombardeios aéreos

Por isso eu te digo, rapaz
Que pra cada beijo e facada
Existe uma coisa pesquisada

E o mais vagabundo ferro de passar
Tem a ver com uma pesquisa militar

Quantas vezes o mundo é catalogado
Registrado eletronicamente
Todos os dias?

Por isso eu te digo, rapaz
Que diante das imagens é preciso ter...
e relaxar a razão de todas as coisas!"

Sexuais imagens de telejornais
Internacionais imagens de telejornais
Policiais imagens de telejornais
Espaciais imagens de telejornais

1:45. Sexo chupado, olhos massacrados
O rapaz é deixado, abandonado pela Vídeo-exú
Numa encruzilhada do Leme
E a Vídeo-exu resolve dar uma voltinha até o Othon Palace
Atravessando as multidões que saem
Das sessões de meia-noite de Copacabana

Duas horas da manhã!
Ela atravessa as multidões cinematográficas
Do Cinema 1
Do Ricamar
Do Jóia, do Bruni, do Condor
Do Art-Palácio
Do Copacabana
Do Roxy!!

E o que ela vê na madrugada da Xavier?
Ela vê na madrugada da Xavier da Silveira
Na vitrine de uma loja de artigos esportivos Adidas
Um telão passando ininterruptos saques
De Martina Navratilova e Gabrielle Sabatini

Hipnotizada por um "saque-Sabatini", ela nem percebe a aproximação
Das famosas menininhas "Neo-Madonnas" com seu novo visual

Cabelo Curto, louro platinado
Vestido de couro azulado
Discretos crucifixos
Lasers camuflados

Quando a Mandarim Pornô se toca
Já tá cercada pela Neo-Madonnas que perguntam ironicamente:
Surprise, Shangai?

2:35. As Neo-Madonnas levam pro alto do Othon Palace
A Chinesa Videomaker

2:44. As Neo-Madonnas vão jogar
Vão jogar
E vai cair e vão jogar
Caiu!

Bateu com a boquinha no 10° andar
Bateu com os peitinhos no 8° andar

China-Exú, Like a Virgin
China-Exú, Holiday
China-Exú, Lucky Star
China-Exú, Material Girl
China-Exú, Papa don’t Preach
China-Exú, True Blue
China-Exú, Get in to the Groove
China-Exú

"Now I know you’re mine!"
5° andar
3° andar
2° andar
1° andar

China-Exú!

Indico uma dose de fausto Fawcett na vida de todo mundo! Afinal, ele também é o fino da bossa!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quentin Tarantino é uma uva.


Quem não gosta do Tarantino? Se alguém responder “eu”, vou fingir que não escutei para não perder a amizade.
Assisti ao filme Bastardos Inglórios e achei supimpa. Para mim o Tarantino conseguiu atingir uma meta grega nesse filme, ele dominou o tempo. Sabe aquele aperto que um silêncio pode trazer, aquele suspiro pelo o que a palavra erroneamente dita causará, o tempo do filme é perfeito. Trabalho de direção!
The Oscar goes to... QUENTIN TARANTINO! 
Eu gostei de todos os filmes dele que assisti: Cães de Aluguel, Um drink no inferno, Pulf Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios. Têm outros, mas ainda não assisti. Quando contei a uma amiga sobre o Bastardos fui logo avisando, o filme é ótimo e é T-A-R-A-N-T-I-N-O. Falei desse jeito porque haja sangue. Nos filmes dele muita gente sangra. Acho isso de menos, pra mim é quase metáfora.
O roteiro do Bastardos Inglórios merece muitos elogios, de longe um dos melhores filmes que vi nos últimos 02 anos. Um grupo de soldados chega à França controlada pelos nazistas, estamos em 1941. O objetivo desses soldados é espalhar o medo e o terror entre os soldados alemães, como uma prévia para o desembarque das tropas norte-americanas. A história se desenrola e tem um desfecho que me fez lembrar As Aves do Aristófanes, só que com muito mais sangue.
Quem gosta de Tarantino vai achar esse filme um primor, os parnasianos diriam que ele atingiu a plenitude da fase madura de sua carreira. Eu que bebo em fonte mais barroca digo: fiquei apaixonada.
Mire e Veja: Bastardos Inglórios – Direção: Quentin Tarantino

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Avatar

Chegou minha vez, fui assistir ao filme de 500 milhões de dólares: Avatar! E melhor, em 3D.

Sobre o 3D

É estranho a princípio, tirei os óculos e os limpei várias vezes, ficava um pouco embaçado. O funcionário do cinema me disse que o “produto” de limpeza ainda estava secando. Depois, a exibição das instruções de uso na tela confirmou que os óculos são higienizados após a exibição.
O trailer foi uma experiência a parte. Vi o do filme que estou esperando ansiosa para assistir, Alice no País das Maravilhas do Tim Burton. Quero esse filme na estante, mesmo que não seja 3D.
O filme parece ter camadas que se movem de forma independente. Mexe muito, então quem tem labirintite pode não gostar. 

O filme

Tudo começa com um paraplégico que possui DNA semelhante ao irmão. Dentro desse argumento o ex militar (paraplégico) segue para Pandora, um planeta que possui características geofísicas similares a Terra, porém com uma atmosfera nociva ao ser humano. O planeta é habitado por seres inteligentes, os Na'vi. 

Qual o impasse? Os humanos descobrem em Pandora um material com altíssimo potencial energético. Esta jazida está abaixo de uma árvore monumental ao cubo, onde os Na'vi vivem. A idéia dos humanos é buscar duas vias de resolução do impasse, a diplomática e a guerra.

A linha diplomática batiza o filme, uma experiência chamada “Avatar” que faz com que humanos transmutem a consciência de seu corpo para um corpo Na'vi criado em laboratório. Com isso eles pretendem se aproximar e catequizar os primitivos Na'vi. Com o tempo os cientistas percebem uma conexão entre tudo o que vive naquele planeta, essa conexão se dá em todos os níveis e há uma entidade que regula todo esse sistema, chamada de Ewyá. 

O roteiro estabelece uma leitura da teoria Gaia, onde a Terra é entendida como um organismo vivo e uno, ligando esta perspectiva biológica aos mitos primitivos, principalmente africanos, na composição de uma sociedade que vive em harmonia existencial.
A divindade do filme, Ewyá, se assemelha muito a Ewá, divindade da Umbanda que habita as florestas.


Essa harmonia existencial, que se reflete nas ações, papéis sociais, rituais de passagem para os jovens e no momento da morte, denota uma sociedade complexa, que compreende que sua existência está intimamente ligada ao equilíbrio entre os elementos naturais.



É claro que a Guerra eclode. Há o vencedor e com a vitória há a dor da derrota dos vencidos e a dor dos sacrifícios do vencedor. Como todo conflito nesse nível, é triste.

Eu gostei do Avatar. Gostei ainda mais de saber que milhares de pessoas estão indo ao cinema e saindo de lá carregando uma mensagem voltada à importância da sustentabilidade. Mais do que em Uma verdade inconveniente, Avatar nos mostra que o caminho para o equilíbrio ambiental precisa considerar a busca pelo equilíbrio social e espiritual. 

Vale aqueles óculos estranhos no rosto: Avatar – Direção: James Cameron – 2009

Susan se renda!


Assisti a um filme biografia da Coco Chanel, já havia começado e estava na parte da inauguração de sua primeira loja, especializada em chapéus (não era o filme mais recente sobre ela).  Fiquei tão interessada que estou lendo uma biografia escrita por um antigo editor da Marie Claire, Marcel Haedrich.
Chanel era dada a frases de efeito:
“A vida é de uma maldade, de uma dureza”, dizia. “As pessoas ditas inteligentes são de uma estupidez, de uma frivolidade! Quando éramos jovens, não éramos tão frívolos. A superficialidade desta nossa época me arrasa”.
Tem aos montes no livro. 


Sua história é fantástica, coisa do XIX mesmo. Origem obscura, tragédias pessoais, sucesso, paixões, dinheiro. Sabe o pretinho básico? Quem inventou foi Chanel. Roupas confortáveis como premissa para o vestuário feminino? Chanel também, ela introduziu novos tecidos, como o jérsei. Modelos magras? Chanel! Perfume de grife? Chanel!
Esta biografia busca captar a subjetividade dos elementos que tornaram Coco Chanel uma personagem singular dentro da cultura do século XX por ter recriado e consolidado a singularidade da alta costura francesa para mulheres a partir de um ambiente hostil a ela.
Rendi-me a sua história. O interesse por moda foi despertado. Vou procurar uma indicação de boa leitura sobre o tema por isso, sem fino da bossa desta vez.
A crítica do filme e do livro não é boa. Não indico, devem existir melhores fontes. O filme é um tipo B. O livro tem a narrativa arrastada, é salvo em parte pelos depoimentos ipsis litteris de Chanel.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Etimologia parisiense

O nome de Paris vem do povo gaulês de origem celta que se chamavam Parisii, ou parísios. A palavra Paris se deriva do nome latino para a cidade, Lutetia Parisiorum (Lutécia dos Parisii). Não se conhece por certo a origem do nome dos Parisii.

 Foto: Letícia Theotonio - Paris 01/2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O nosso drama dinamarquês

Até pouco tempo atrás eu tinha três referências da Dinamarca. Uma delas advinha da não lidas e conhecidas frases da peça Hamlet. A outra era o Tivoli Park, pois como carioca nascida na década de 80 me diverti muito no saudoso Tivoli Parque na Lagoa Rodrigo de Freitas. A terceira era o nome Kopenhagen, que batiza a rede de chocolates finos, mais acessível no Brasil – da qual minha avó adora Nhá Benta, correspondendo também à cidade onde foi realizada recentemente a convenção internacional sobre mudanças climáticas.


O que Hamlet tem haver com isso? Nada. Só resolvi contar que eu não sabia e continuo sem saber muita coisa sobre a Dinamarca. A peça de Shakespeare transcende a qualquer espelho temporal de uma determinada sociedade européia. Tampouco a sociedade inglesa da época aparece retratada ou criticada. Shakespeare fala da condição humana que é fixada em uma dimensão paralela ao palpável, porém tangível aos nossos sentidos.

Hamlet poderia ter sido um príncipe em qualquer lugar do planeta (excluindo as culturas que ligam a morte corporal à transmutação da alma). O assunto não é local, é universal. Quiçá interplanetário.

O drama – e põe drama nisso – possui todos os elementos de um enredo clássico bem construído. Há a imagem do herói terreno (aquele que prestas contas quando morre, pois uma vida de glórias carrega consigo tantos pecados quanto forem necessários), o assassinato, o usurpador, a contestação da moralidade, a vingança disfarçada de insanidade, o jogo de palavras, as referências às tradições mitológicas ocidentais, o amor, a disputa e o grande final.

É um drama e a isso é confirmado a cada ato. O bem e o mal parecem mais relativos que nunca. Sensacional a ironia sobre uma espécie de cegueira que a ânsia de cumprir uma ordem pode causar na forma e na substância das pessoas. A fidelidade é tema que também se discute nas entrelinhas dos diálogos.


Alguns trechos são como tapas, outros como o colo da mãe na plenitude da segurança e carinho. E até agora estamos falando de palavras escritas. As palavras em Hamlet adquirem novos significados à medida que o tempo passa, há nelas o peso da tradição literária e dramatúrgica, há nelas a leveza de serem entendidas na altura do peito.

É isso. Coração é a resposta para uma pergunta que nem escrevi aqui. O Shakespeare falou através da razão direto ao meu coração. Segue um trecho para deleite:

HAMLET


Eu a receberei, senhor, com toda disponência. E pode colocar o cobre-crânio onde é devido – na cabeça.


OSRIC


Agradeço a vossa senhoria: mas faz tanto calor.


HAMLET


Não, pode crer, faz muito frio; venta do norte


OSRIC


Só agora percebo, meu senhor, faz mesmo um friozinho.


HAMLET


Para meu temperamento está até bem quente e abafado.


OSRIC


Excessivamente, meu Príncipe – está até sufocante – como se fosse... em nem sei dizer como. (...).

Indico:

William Shakespeare - Hamlet

Tradução Millôr Fernandes.

P.s. Preciso agradecer uma pessoa que não conheço. Seu nome é Paula Date e ela vive no Estado do Texas, EUA. A edição que li foi dela anos atrás e veio com registros preciosos acerca do significado de palavras e expressões. Tudo muito organizado. Adoro a Paula porque para ela leitura é coisa de uma vida.

P.s. 2 Antes da leitura tive o privilégio de conhecer duas brasileiras que possuem laços estreitos com a Dinamarca. Uma delas, Ana, uma dentista do sorriso bonito e coração de ouro, me convenceu a assistir a um determinado filme cruzando o Atlântico e isso me fez muito bem. A outra, uma farmacêutica mineira com cara de dinamarquesa, tem a elegância e a paz que só os grandes possuem. Conhecemos-nos e conversamos. Parecia encontro marcado.


Shakespeare fala sua língua!

Terminei o primeiro livro do ano: Hamlet na tradução de Millôr Fernandes de 1991, editora L&PM.

A próxima postagem antes de viajar para a Cidade Luz será sobre o drama do príncipe da Dinamarca. Ainda estou digerindo a história. No final lembrei daquela música do Milton Nascimento “cai o rei de copas, cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai não fica nada”.

Você gosta de Chico Buarque?

Se estivéssemos em 1990, para responder essa pergunta sem dúvida você pensaria nas músicas do cantor e compositor. Agora é necessário retrucar, “na música ou literatura?”. Com quatro romances: Estorvo (1991), Benjamin (1995), Budapeste (2004) e Leite Derramado (2009) Chico recebe prêmios, é editado em diferentes línguas, vende milhares de exemplares no Brasil e entra para o primeiro time dos escritores de língua portuguesa.


Na edição especial de dezembro/2009 a revista Bravo! trouxe um especial sobre o escritor Chico Buarque de Hollanda. Um dos artigos o denomina de “Kafka Brasileiro” (pp. 54 -59). Li somente O Processo de um lado e Budapeste de outro. Desse jeito o elogio me pareceu forçar a barra.

No geral a revista é muito boa, traz um belo texto sobre o processo criativo e uma micro entrevista com a elegante Barbara Heliodora, que merecia mais espaço do que os “atuais fãs de Chico via Orkut”. Nada contra o orkut, mas Bravo!, Orkut, Chico, Literatura, Kafka ou não Kafka...

Fotografia é mesmo um barato. Vou tentar postar a magnífica foto da página 77. “Chico em sessão de autógrafos no lançamento do livro-poema infantil Chapeuzinho Amarelo, editado a primeira vez em 1979”. Na foto tem uma mulher segurando um bebê com o livro na mão e Chico autografando sentado rodeado de crianças e com um cigarro na boca. Em tempos de leis edificantes é sempre bom recordar. Afinal, recordar é viver.

Os textos da Bravo! continuam aquela delícia de quase sempre, a única coisinha mesmo foi o excesso e a complacência em alguns momentos... Repito aqui o que disse aos amigos, Budapeste (o único que Li além de Fazenda Modelo e das peças Gota D’água e Calabar) não é um livro ruim, é que tem certos livros, que fazem da leitura uma experiência mística. Nesse ponto fico com o Chico das músicas mesmo porque é desse jeito que ele me mostra o é da coisa.

De toda sorte Leite Derramado está na lista para o primeiro semestre do ano.

Indico:

Revista Bravo! Dezembro 2009 – Especial Chico!