quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Etimologia parisiense

O nome de Paris vem do povo gaulês de origem celta que se chamavam Parisii, ou parísios. A palavra Paris se deriva do nome latino para a cidade, Lutetia Parisiorum (Lutécia dos Parisii). Não se conhece por certo a origem do nome dos Parisii.

 Foto: Letícia Theotonio - Paris 01/2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O nosso drama dinamarquês

Até pouco tempo atrás eu tinha três referências da Dinamarca. Uma delas advinha da não lidas e conhecidas frases da peça Hamlet. A outra era o Tivoli Park, pois como carioca nascida na década de 80 me diverti muito no saudoso Tivoli Parque na Lagoa Rodrigo de Freitas. A terceira era o nome Kopenhagen, que batiza a rede de chocolates finos, mais acessível no Brasil – da qual minha avó adora Nhá Benta, correspondendo também à cidade onde foi realizada recentemente a convenção internacional sobre mudanças climáticas.


O que Hamlet tem haver com isso? Nada. Só resolvi contar que eu não sabia e continuo sem saber muita coisa sobre a Dinamarca. A peça de Shakespeare transcende a qualquer espelho temporal de uma determinada sociedade européia. Tampouco a sociedade inglesa da época aparece retratada ou criticada. Shakespeare fala da condição humana que é fixada em uma dimensão paralela ao palpável, porém tangível aos nossos sentidos.

Hamlet poderia ter sido um príncipe em qualquer lugar do planeta (excluindo as culturas que ligam a morte corporal à transmutação da alma). O assunto não é local, é universal. Quiçá interplanetário.

O drama – e põe drama nisso – possui todos os elementos de um enredo clássico bem construído. Há a imagem do herói terreno (aquele que prestas contas quando morre, pois uma vida de glórias carrega consigo tantos pecados quanto forem necessários), o assassinato, o usurpador, a contestação da moralidade, a vingança disfarçada de insanidade, o jogo de palavras, as referências às tradições mitológicas ocidentais, o amor, a disputa e o grande final.

É um drama e a isso é confirmado a cada ato. O bem e o mal parecem mais relativos que nunca. Sensacional a ironia sobre uma espécie de cegueira que a ânsia de cumprir uma ordem pode causar na forma e na substância das pessoas. A fidelidade é tema que também se discute nas entrelinhas dos diálogos.


Alguns trechos são como tapas, outros como o colo da mãe na plenitude da segurança e carinho. E até agora estamos falando de palavras escritas. As palavras em Hamlet adquirem novos significados à medida que o tempo passa, há nelas o peso da tradição literária e dramatúrgica, há nelas a leveza de serem entendidas na altura do peito.

É isso. Coração é a resposta para uma pergunta que nem escrevi aqui. O Shakespeare falou através da razão direto ao meu coração. Segue um trecho para deleite:

HAMLET


Eu a receberei, senhor, com toda disponência. E pode colocar o cobre-crânio onde é devido – na cabeça.


OSRIC


Agradeço a vossa senhoria: mas faz tanto calor.


HAMLET


Não, pode crer, faz muito frio; venta do norte


OSRIC


Só agora percebo, meu senhor, faz mesmo um friozinho.


HAMLET


Para meu temperamento está até bem quente e abafado.


OSRIC


Excessivamente, meu Príncipe – está até sufocante – como se fosse... em nem sei dizer como. (...).

Indico:

William Shakespeare - Hamlet

Tradução Millôr Fernandes.

P.s. Preciso agradecer uma pessoa que não conheço. Seu nome é Paula Date e ela vive no Estado do Texas, EUA. A edição que li foi dela anos atrás e veio com registros preciosos acerca do significado de palavras e expressões. Tudo muito organizado. Adoro a Paula porque para ela leitura é coisa de uma vida.

P.s. 2 Antes da leitura tive o privilégio de conhecer duas brasileiras que possuem laços estreitos com a Dinamarca. Uma delas, Ana, uma dentista do sorriso bonito e coração de ouro, me convenceu a assistir a um determinado filme cruzando o Atlântico e isso me fez muito bem. A outra, uma farmacêutica mineira com cara de dinamarquesa, tem a elegância e a paz que só os grandes possuem. Conhecemos-nos e conversamos. Parecia encontro marcado.


Shakespeare fala sua língua!

Terminei o primeiro livro do ano: Hamlet na tradução de Millôr Fernandes de 1991, editora L&PM.

A próxima postagem antes de viajar para a Cidade Luz será sobre o drama do príncipe da Dinamarca. Ainda estou digerindo a história. No final lembrei daquela música do Milton Nascimento “cai o rei de copas, cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai não fica nada”.

Você gosta de Chico Buarque?

Se estivéssemos em 1990, para responder essa pergunta sem dúvida você pensaria nas músicas do cantor e compositor. Agora é necessário retrucar, “na música ou literatura?”. Com quatro romances: Estorvo (1991), Benjamin (1995), Budapeste (2004) e Leite Derramado (2009) Chico recebe prêmios, é editado em diferentes línguas, vende milhares de exemplares no Brasil e entra para o primeiro time dos escritores de língua portuguesa.


Na edição especial de dezembro/2009 a revista Bravo! trouxe um especial sobre o escritor Chico Buarque de Hollanda. Um dos artigos o denomina de “Kafka Brasileiro” (pp. 54 -59). Li somente O Processo de um lado e Budapeste de outro. Desse jeito o elogio me pareceu forçar a barra.

No geral a revista é muito boa, traz um belo texto sobre o processo criativo e uma micro entrevista com a elegante Barbara Heliodora, que merecia mais espaço do que os “atuais fãs de Chico via Orkut”. Nada contra o orkut, mas Bravo!, Orkut, Chico, Literatura, Kafka ou não Kafka...

Fotografia é mesmo um barato. Vou tentar postar a magnífica foto da página 77. “Chico em sessão de autógrafos no lançamento do livro-poema infantil Chapeuzinho Amarelo, editado a primeira vez em 1979”. Na foto tem uma mulher segurando um bebê com o livro na mão e Chico autografando sentado rodeado de crianças e com um cigarro na boca. Em tempos de leis edificantes é sempre bom recordar. Afinal, recordar é viver.

Os textos da Bravo! continuam aquela delícia de quase sempre, a única coisinha mesmo foi o excesso e a complacência em alguns momentos... Repito aqui o que disse aos amigos, Budapeste (o único que Li além de Fazenda Modelo e das peças Gota D’água e Calabar) não é um livro ruim, é que tem certos livros, que fazem da leitura uma experiência mística. Nesse ponto fico com o Chico das músicas mesmo porque é desse jeito que ele me mostra o é da coisa.

De toda sorte Leite Derramado está na lista para o primeiro semestre do ano.

Indico:

Revista Bravo! Dezembro 2009 – Especial Chico!