sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quentin Tarantino é uma uva.


Quem não gosta do Tarantino? Se alguém responder “eu”, vou fingir que não escutei para não perder a amizade.
Assisti ao filme Bastardos Inglórios e achei supimpa. Para mim o Tarantino conseguiu atingir uma meta grega nesse filme, ele dominou o tempo. Sabe aquele aperto que um silêncio pode trazer, aquele suspiro pelo o que a palavra erroneamente dita causará, o tempo do filme é perfeito. Trabalho de direção!
The Oscar goes to... QUENTIN TARANTINO! 
Eu gostei de todos os filmes dele que assisti: Cães de Aluguel, Um drink no inferno, Pulf Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios. Têm outros, mas ainda não assisti. Quando contei a uma amiga sobre o Bastardos fui logo avisando, o filme é ótimo e é T-A-R-A-N-T-I-N-O. Falei desse jeito porque haja sangue. Nos filmes dele muita gente sangra. Acho isso de menos, pra mim é quase metáfora.
O roteiro do Bastardos Inglórios merece muitos elogios, de longe um dos melhores filmes que vi nos últimos 02 anos. Um grupo de soldados chega à França controlada pelos nazistas, estamos em 1941. O objetivo desses soldados é espalhar o medo e o terror entre os soldados alemães, como uma prévia para o desembarque das tropas norte-americanas. A história se desenrola e tem um desfecho que me fez lembrar As Aves do Aristófanes, só que com muito mais sangue.
Quem gosta de Tarantino vai achar esse filme um primor, os parnasianos diriam que ele atingiu a plenitude da fase madura de sua carreira. Eu que bebo em fonte mais barroca digo: fiquei apaixonada.
Mire e Veja: Bastardos Inglórios – Direção: Quentin Tarantino

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Avatar

Chegou minha vez, fui assistir ao filme de 500 milhões de dólares: Avatar! E melhor, em 3D.

Sobre o 3D

É estranho a princípio, tirei os óculos e os limpei várias vezes, ficava um pouco embaçado. O funcionário do cinema me disse que o “produto” de limpeza ainda estava secando. Depois, a exibição das instruções de uso na tela confirmou que os óculos são higienizados após a exibição.
O trailer foi uma experiência a parte. Vi o do filme que estou esperando ansiosa para assistir, Alice no País das Maravilhas do Tim Burton. Quero esse filme na estante, mesmo que não seja 3D.
O filme parece ter camadas que se movem de forma independente. Mexe muito, então quem tem labirintite pode não gostar. 

O filme

Tudo começa com um paraplégico que possui DNA semelhante ao irmão. Dentro desse argumento o ex militar (paraplégico) segue para Pandora, um planeta que possui características geofísicas similares a Terra, porém com uma atmosfera nociva ao ser humano. O planeta é habitado por seres inteligentes, os Na'vi. 

Qual o impasse? Os humanos descobrem em Pandora um material com altíssimo potencial energético. Esta jazida está abaixo de uma árvore monumental ao cubo, onde os Na'vi vivem. A idéia dos humanos é buscar duas vias de resolução do impasse, a diplomática e a guerra.

A linha diplomática batiza o filme, uma experiência chamada “Avatar” que faz com que humanos transmutem a consciência de seu corpo para um corpo Na'vi criado em laboratório. Com isso eles pretendem se aproximar e catequizar os primitivos Na'vi. Com o tempo os cientistas percebem uma conexão entre tudo o que vive naquele planeta, essa conexão se dá em todos os níveis e há uma entidade que regula todo esse sistema, chamada de Ewyá. 

O roteiro estabelece uma leitura da teoria Gaia, onde a Terra é entendida como um organismo vivo e uno, ligando esta perspectiva biológica aos mitos primitivos, principalmente africanos, na composição de uma sociedade que vive em harmonia existencial.
A divindade do filme, Ewyá, se assemelha muito a Ewá, divindade da Umbanda que habita as florestas.


Essa harmonia existencial, que se reflete nas ações, papéis sociais, rituais de passagem para os jovens e no momento da morte, denota uma sociedade complexa, que compreende que sua existência está intimamente ligada ao equilíbrio entre os elementos naturais.



É claro que a Guerra eclode. Há o vencedor e com a vitória há a dor da derrota dos vencidos e a dor dos sacrifícios do vencedor. Como todo conflito nesse nível, é triste.

Eu gostei do Avatar. Gostei ainda mais de saber que milhares de pessoas estão indo ao cinema e saindo de lá carregando uma mensagem voltada à importância da sustentabilidade. Mais do que em Uma verdade inconveniente, Avatar nos mostra que o caminho para o equilíbrio ambiental precisa considerar a busca pelo equilíbrio social e espiritual. 

Vale aqueles óculos estranhos no rosto: Avatar – Direção: James Cameron – 2009

Susan se renda!


Assisti a um filme biografia da Coco Chanel, já havia começado e estava na parte da inauguração de sua primeira loja, especializada em chapéus (não era o filme mais recente sobre ela).  Fiquei tão interessada que estou lendo uma biografia escrita por um antigo editor da Marie Claire, Marcel Haedrich.
Chanel era dada a frases de efeito:
“A vida é de uma maldade, de uma dureza”, dizia. “As pessoas ditas inteligentes são de uma estupidez, de uma frivolidade! Quando éramos jovens, não éramos tão frívolos. A superficialidade desta nossa época me arrasa”.
Tem aos montes no livro. 


Sua história é fantástica, coisa do XIX mesmo. Origem obscura, tragédias pessoais, sucesso, paixões, dinheiro. Sabe o pretinho básico? Quem inventou foi Chanel. Roupas confortáveis como premissa para o vestuário feminino? Chanel também, ela introduziu novos tecidos, como o jérsei. Modelos magras? Chanel! Perfume de grife? Chanel!
Esta biografia busca captar a subjetividade dos elementos que tornaram Coco Chanel uma personagem singular dentro da cultura do século XX por ter recriado e consolidado a singularidade da alta costura francesa para mulheres a partir de um ambiente hostil a ela.
Rendi-me a sua história. O interesse por moda foi despertado. Vou procurar uma indicação de boa leitura sobre o tema por isso, sem fino da bossa desta vez.
A crítica do filme e do livro não é boa. Não indico, devem existir melhores fontes. O filme é um tipo B. O livro tem a narrativa arrastada, é salvo em parte pelos depoimentos ipsis litteris de Chanel.