domingo, 21 de fevereiro de 2010

Avatar

Chegou minha vez, fui assistir ao filme de 500 milhões de dólares: Avatar! E melhor, em 3D.

Sobre o 3D

É estranho a princípio, tirei os óculos e os limpei várias vezes, ficava um pouco embaçado. O funcionário do cinema me disse que o “produto” de limpeza ainda estava secando. Depois, a exibição das instruções de uso na tela confirmou que os óculos são higienizados após a exibição.
O trailer foi uma experiência a parte. Vi o do filme que estou esperando ansiosa para assistir, Alice no País das Maravilhas do Tim Burton. Quero esse filme na estante, mesmo que não seja 3D.
O filme parece ter camadas que se movem de forma independente. Mexe muito, então quem tem labirintite pode não gostar. 

O filme

Tudo começa com um paraplégico que possui DNA semelhante ao irmão. Dentro desse argumento o ex militar (paraplégico) segue para Pandora, um planeta que possui características geofísicas similares a Terra, porém com uma atmosfera nociva ao ser humano. O planeta é habitado por seres inteligentes, os Na'vi. 

Qual o impasse? Os humanos descobrem em Pandora um material com altíssimo potencial energético. Esta jazida está abaixo de uma árvore monumental ao cubo, onde os Na'vi vivem. A idéia dos humanos é buscar duas vias de resolução do impasse, a diplomática e a guerra.

A linha diplomática batiza o filme, uma experiência chamada “Avatar” que faz com que humanos transmutem a consciência de seu corpo para um corpo Na'vi criado em laboratório. Com isso eles pretendem se aproximar e catequizar os primitivos Na'vi. Com o tempo os cientistas percebem uma conexão entre tudo o que vive naquele planeta, essa conexão se dá em todos os níveis e há uma entidade que regula todo esse sistema, chamada de Ewyá. 

O roteiro estabelece uma leitura da teoria Gaia, onde a Terra é entendida como um organismo vivo e uno, ligando esta perspectiva biológica aos mitos primitivos, principalmente africanos, na composição de uma sociedade que vive em harmonia existencial.
A divindade do filme, Ewyá, se assemelha muito a Ewá, divindade da Umbanda que habita as florestas.


Essa harmonia existencial, que se reflete nas ações, papéis sociais, rituais de passagem para os jovens e no momento da morte, denota uma sociedade complexa, que compreende que sua existência está intimamente ligada ao equilíbrio entre os elementos naturais.



É claro que a Guerra eclode. Há o vencedor e com a vitória há a dor da derrota dos vencidos e a dor dos sacrifícios do vencedor. Como todo conflito nesse nível, é triste.

Eu gostei do Avatar. Gostei ainda mais de saber que milhares de pessoas estão indo ao cinema e saindo de lá carregando uma mensagem voltada à importância da sustentabilidade. Mais do que em Uma verdade inconveniente, Avatar nos mostra que o caminho para o equilíbrio ambiental precisa considerar a busca pelo equilíbrio social e espiritual. 

Vale aqueles óculos estranhos no rosto: Avatar – Direção: James Cameron – 2009

Um comentário:

Juntos fazemos uma ode a dialética! Obrigada!