“Se os 600 maiores especialistas avisaram que o mundo estava caminhando na direção de sua maior catástrofe, como é que ninguém fez nada?”
Não deixa de ser curiosa a realização de um simpósio internacional sobre energia na cidade de São Sebastião-SP, juntamente com as capitais Curitiba (PR) e Salvador (BA). O que poucos sabem é que aqui existe um dos maiores terminais de distribuição petrolífera do país, há também um porto, poderá receber um álcoolduto e está no entorno de jazidas de gás e petróleo. Estamos portanto na rota nacional de produção de energia. Junte-se a isso o fato de termos 75% do território como área de proteção permanente, está pronta a receita de uma sopa curiosa.
Sustentabilidade. Aquecimento global. Biodiesel. Biomassa. E o jedi[†] álcool. Essas são palavras que escutamos todas as noites no noticiário da TV, até as revistas que costumam trazer moças sensuais na capa (!!) aderiram ao mais atual mal-estar da nossa civilização: a metáfora da morte em uma montanha de lixo.
Lidamos com esse problema não lidando. Negaremos até o último segundo. É um método compreensível – e até justificável. Como aceitar uma verdade tão esmagadora? Não aceitando. É assim. E assim será. Não dá para exigir que todo mundo libere o Buda interior nesta encarnação. Negar a morte está em nossa essência[‡].
Negar que cada sebastianense compartilha, com o restante da humanidade, a responsabilidade acerca da rápida degradação do planeta, da forma que o conhecemos, é compactuar com a permanência do entendimento que o aquecimento global e demais mazelas ambientais são resultado único e exclusivo de desastres, como Chernobyl em 1989.
Não. O propulsor dos alarmes sobre o futuro próximo do planeta é o modo de produção que utilizamos para conservar e modernizar nosso estilo de vida. Aquele cenário MAD MAX que tanto nos assusta a caminho de São Paulo, existe para que eu, você e quase todo mundo possamos “desfrutar” de todas as conveniências que a vida moderna nos permitiu até agora.
Para São Sebastião, a presença de discussões sobre o emprego de diferentes modelos energéticos representa incremento estratosférico da temática ambiental municipal. Garantir o acesso da comunidade a informações sobre alternativas para o combustível do modo de produção é dar a chance de instrumentalizar a sociedade para a inevitável e iminente mudança de hábitos.
Para nós resta captar o espírito da coisa e assumirmos nossa responsabilidade. Para isso creio que não precisamos pegar em armas para defender o Parque Estadual, nem passar a viver de subsistência. Podemos começar com três atividades pequenas frente à ameaça do degelo da calota polar: evite as sacolinhas plásticas e participe do programa de coleta seletiva, separando os resíduos e instalando sua própria lixeira dividida para lixo (orgânico) e sucata (recicláveis). Agora, se você não agüenta fazer isso, o planeta não agüenta mais você.
VER
Revista: TRIP Nº 161
Filme: MAD MAX (é com o Mel Gibson!)
Livro: A cidade contemporânea: entre a tabula rasa e a preservação

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